A fisioterapia pélvica no controle da incontinência fecal

Por Juliana Miranda

A incontinência fecal é uma condição que pode causar restrições na vida social, necessidade de sempre localizar um banheiro devido às perdas, odor, medo, vergonha, problemas psicológicos, ansiedade, depressão, baixa autoestima  e problemas na vida sexual e afeta em média  15% da população.

Mas, o que é exatamente a incontinência fecal? Trata-se de um problema anorretal definido como perda involuntária de fezes (líquidas ou sólidas) incluindo também a perda de gases, por pelo menos 3 meses em pessoas acima de 4 anos de idade.

As causas mais comuns são as de origem estrutural como as lesões obstétricas, e cirurgias anorretais, e as causas não estruturais que incluem a diarreia de diferentes origens como colite infecciosa, síndrome do intestino irritável, pós colecistectomia e efeitos colaterais de medicamentos. Além disso,  algumas incapacidades físicas ou cognitivas, idade avançada, diabetes e depressão são fatores preditivos para esta incontinência.

Podemos citar três tipos de incontinência fecal. Uma delas é a incontinência passiva, quando o paciente possui ausência ou diminuição da sensação do desejo de evacuar antes do episódio de incontinência. A outra é a incontinência de urgência, quando o paciente tem a sensação do desejo de evacuar, mas não consegue chegar ao banheiro a tempo.  E a terceira é a associação entre a incontinência fecal passiva e a incontinência fecal de urgência.

O sucesso no tratamento dos problemas relacionados a continência anorretal vai depender da precisão no diagnóstico.  Tanto para problemas na percepção, ou de ordem musculares, o tratamento com fisioterapia costuma apresentar resposta bastante satisfatória e rápida. Estímulos da ampola retal, e trabalho muscular podem ser feitos com balonetes, terapia manual, eletroterapia, e outras técnicas, de acordo com cada caso., podendo regredir a incontinência em até 100%.

É importante lembrar que Fortalecer uma musculatura que já tem dificuldade de relaxar também é caminho certo para piorar o problema, por isso é necessário estar supervisionado por um profissional  habilitado e com experiência

Juliana Miranda é fisioterapeuta pélvica, especialista em disfunções  urinárias, proctológicas e  sexualidade  feminina e integra a equipe multidisciplinar do IGPA.

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